Segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, é importante ressaltar que, apesar do aumento na demanda, o setor não vivencia uma crise. "O número de pedidos é pequeno e a maior parte dos produtores rurais segue operando normalmente. De todo modo, precisamos continuar incentivando a renegociação de dívidas ou soluções como o Fiagro Reorg, que são formas mais amigáveis de retomar a estabilidade financeira. Além disso, iniciativas como o planejamento financeiro para demandantes e o monitoramento do perfil de crédito para credores podem premeditar e evitar a busca pelo recurso".
Na separação por porte, é possível observar que os pedidos partiram menos dos pequenos produtores, que marcaram apenas 5 requisições. Em seguida estão os médios, com 9 solicitações e os grandes, com 17. Os chamados "Sem Propriedade", ou seja, que não têm propriedades no campo – considerados arrendatários de terras e grupos econômicos ou familiares relacionados ao setor – realizaram a maior quantidade, de 45 requisições.
Previsão de instabilidade financeira poderia amenizar pedidos de recuperação judicial
Dados do Agro Score da Serasa Experian, solução que entrega análises específicas para o setor e prevê o risco de inadimplência dos produtores rurais, comprovam que o uso de modelos preditivos pode identificar perfis propensos à recuperação judicial. Dessa forma, ao aplicar esse tipo de tecnologia, os credores são capazes de tomar decisões mais seguras, evitando, indiretamente, o número de requisições do recurso que, segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, deve ser utilizado apenas como última opção.
Essa identificação acontece porque o monitoramento de dados do Agro Score pode registrar, com vários meses de antecedência, os perfis de produtores rurais que já mostravam sinais de instabilidade financeira. Ou seja, é uma análise que mitiga riscos da concessão de crédito.
No gráfico abaixo podemos observar o exemplo mencionado, em que o Agro Score médio da população de produtores rurais PJ era significativamente maior do que o dos que solicitaram recuperação judicial mesmo três anos antes do pedido. Além disso, também se pode observar como a curvatura de pontuação do modelo preditivo segue caindo mesmo antes da solicitação. Veja: