O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve o Grupo Leão sob risco de falência ao negar um pedido liminar apresentado pelos integrantes do conglomerado empresarial ligado à deputada federal Ana Paula Leão e ao ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão. A decisão foi publicada em 8 de junho de 2026 e reforça a pressão sobre o grupo, que enfrenta um processo de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 341 milhões em dívidas.
O processo principal da recuperação judicial tramita na 2ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia sob o número 5067169-36.2025.8.13.0702. O caso envolve empresas rurais e integrantes da família Leão ligados ao agronegócio, com operações em Minas Gerais e no Tocantins.
A situação ganhou novos desdobramentos após a publicação de edital no Diário da Justiça, que abriu prazo de 15 dias para que credores apresentem habilitações, divergências ou contestem os valores relacionados ao processo. O montante reúne débitos com bancos públicos, cooperativas de crédito, instituições financeiras e fornecedores.
Entre os maiores credores aparecem o Banco da Amazônia, com cerca de R$ 107,1 milhões, cooperativas do Sistema Sicoob com aproximadamente R$ 93 milhões, a Agrex do Brasil com R$ 56 milhões e o Banco do Brasil com mais de R$ 30 milhões. Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e outras instituições também figuram na relação de credores.
O Grupo Leão está em recuperação judicial desde novembro de 2025, quando o pedido foi aceito pela Justiça de Uberlândia. Segundo os documentos apresentados ao Judiciário, o objetivo é superar uma crise econômico-financeira, preservar as atividades rurais, manter empregos e garantir condições para pagamento dos credores.
A decisão mais recente do TJMG foi tomada pela desembargadora Luzia Peixoto, da 3ª Câmara Cível. Ela rejeitou um recurso que buscava afastar a possibilidade de falência caso o grupo não comprove a regularidade dos pagamentos dos honorários da administração judicial.
Em maio deste ano, o juiz responsável pelo caso determinou que os recuperandos apresentassem, em até 15 dias, a comprovação dos pagamentos devidos à administradora judicial. O magistrado alertou que o descumprimento da determinação poderá resultar na conversão da recuperação judicial em falência.
A defesa do grupo argumentou que parte dos recursos destinados a esses pagamentos viria da comercialização da safra de soja. Porém, a Agrex do Brasil obteve na Justiça o bloqueio da produção agrícola, impedindo a utilização desses recursos.
A disputa envolvendo os grãos chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deverá decidir qual juízo possui competência para tratar do assunto. Até a definição, parte das discussões permanece suspensa.
Além das dificuldades financeiras, o processo revelou um racha familiar dentro do próprio Grupo Leão. Luis Renato Leão Carneiro passou a atuar com defesa separada dos demais integrantes e apresentou ressalvas ao plano de recuperação judicial.
Também vieram à tona acusações de supostos desvios patrimoniais envolvendo antigos administradores das operações. Os documentos apontam que contratos e recursos do conglomerado teriam sido utilizados em benefício próprio por ex-gestores. As acusações são negadas pelos citados.
Diante da gravidade das alegações, a Justiça de Uberlândia determinou a realização de perícia para apurar possíveis irregularidades. Houve ainda pedido de bloqueio de imóveis, cotas empresariais e outros ativos dos investigados, mas a solicitação foi rejeitada pelo TJMG neste momento.
Enquanto a recuperação judicial avança, o Grupo Leão enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória empresarial. O resultado do processo poderá impactar diretamente fornecedores, instituições financeiras, produtores rurais, trabalhadores e todo o setor agropecuário ligado às atividades do conglomerado.
A manutenção do risco de falência e a divulgação da lista de credores aumentam a expectativa sobre os próximos capítulos do caso, que segue sendo acompanhado de perto em Uberlândia e em todo o estado de Minas Gerais.
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